Domingo, 20 de Julho de 2008

Um Toque de Jazz em Agosto

 

 

Irão prosseguir, durante o mês de Agosto, as transmissões (em repetição) de alguns programas e ciclos especiais desencantados nas caves mais fresquinhas dos arquivos da RDP / Antena 2.
 
E se é verdade que John Coltrane volta a ser um músico em especial destaque neste mês, pela nova audição de um ciclo de emissões nas quais Um Toque de Jazz comemorou (em 2006) a passagem do 80º. aniversário do seu nascimento, o certo é que também a histórica actuação do Octeto de Charles Mingus na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), datada do mesmo ano, será recordada.
 
Igualmente emocionante, mas bem mais triste, será ainda uma nova evocação, três anos passados sobre a tragédia que atingiu Nova Orleães, do Furacão Katrina e de um concerto especial de beneficência que inúmeros músicos de primeiro plano realizaram no Lincoln Center (Nova Iorque) em 17.09.05.                                                                                                                                                                                                    Quanto ao escriba deste blog, apresta-se a partir para férias.
 
[Um Toque de Jazz é transmitido aos sábados e domingos, das 23:05 às 24:00, Antena 2, podendo ser ouvido em FM ou ainda aqui, via webcast. Após a sua transmissão, as emissões estão disponíveis, também via Internet, na página de arquivos multimédia da Antena 2.]
 

 
Sábado, 02.08.08 – As sessões de gravação realizadas por John Coltrane, como líder, para a Prestige e para a Impulse! (entre 1956 e 1967) e com o quarteto de Thelonius Monk (1957). 1º. Programa. (Repetição) 
 
Domingo, 03.08.08 – As sessões de gravação realizadas por John Coltrane, como líder, para a Prestige e para a Impulse! (entre 1956 e 1967) e com o quarteto de Thelonius Monk (1957). 2º. Programa. (Repetição) 
 
Sábado, 09.08.08 – As sessões de gravação realizadas por John Coltrane, como líder, para a Prestige e para a Impulse! (entre 1956 e 1967) e com o quarteto de Thelonius Monk (1957). 3º. Programa. (Repetição) 
 
Domingo, 10.08.08 – As sessões de gravação pela Big Band de Oliver Nelson para a Argo, Verve e Impulse! (1962-1967). 1º. Programa. (Repetição) 
 
Sábado, 16.08.08 – As sessões de gravação pela Big Band de Oliver Nelson para a Argo, Verve e Impulse! (1962-1967). 2º. Programa. (Repetição)
                                                                                                                  
 
 
Domingo, 17.08.08 – O Quinteto «Ohad Talmor NewsReel» - com Ohad Talmor (sax-tenor), Shane Endsley (trompete), Jacob Sacks (piano), Matt Pavolka (contrabaixo) e Dan Weiss (bateria). Concerto realizado em 05.02.07 no Teatro Municipal Baltazar Dias (Funchal). (Repetição) 
 
Sábado, 23.08.08 – No terceiro aniversário do Furacão Katrina: «Higher Ground Hurricane Relief Benefit Concert», concerto em benefício das vítimas do furacão Katrina realizado em 17 de Setembro de 2005 no Lincoln Center de Nova Iorque. Participam vários músicos, entre os quais Wynton Marsalis, Herbie Hancock, Joe Lovano, Cassandra Wilson, Diana Krall e Terence Blanchard. (Repetição)    
 
Domingo, 24.08.08Charles Mingus at UCLA – A audição musical integral do célebre concerto realizado em 25.09.1965 na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) pelo octeto de Charles Mingus (contrabaixo), com Jimmy Owens, Lonnie Hillyer e Hobart Dotson (trompetes), Charles McPherson (sax-alto), Julius Watkins (trompa), Howard Johnson (tuba) e Danny Richmond (bateria). (Repetição). 
 
Sábado, 30.08.08 – As sessões de gravação dos pequenos grupos de Buddy Rich para a Argo, a EmArcy e a Verve (1953-1961) 1º. Programa. (Repetição)
 
Domingo, 31.08.08 – As sessões de gravação dos pequenos grupos de Buddy Rich para a Argo, a EmArcy e a Verve (1953-1961) 2º. Programa. (Repetição)

 


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 09:58
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Sábado, 19 de Julho de 2008

Achados no baú (10)

 

 

                                                                                                                                                                                              Nesta periodicidade mais espaçada que já aqui foi justificada anteriormente em relação à frequência e número de posts publicados em O Sítio do Jazz, dá-se hoje lugar à invocação de uma crítica inicialmente publicada no suplemento DNMais do Diário de Notícias  (30.01.99)  sobre dois grandes discos saídos do génio de Clifford Brown, o malogrado trompetista prematuramente desaparecido, apenas com 25 anos de idade.
 
 
 
 
Os sons de uma época
 
A programação editorial das majors mais importantes, traduzida no actual boom de reedições para todos os paladares, se, por um lado, é paradigmática dos processos pelos quais se procuram criar expectativas artificiais no mercado  – no sentido de, em última análise e consoante hábeis estratégias macroeconómicas, suscitar a acumulação do máximo de lucros com o mínimo de investimentos –  amplia, por outro lado, a possibilidade de novos públicos  (e, portanto, novos consumidores!)  terem acesso a obras de referência.
 
Nenhum mistério rodeia, assim, o novo lançamento  [1999]  de Study in Brown e More Study in Brown, da EmArcy, apenas aproximadamente década e meia após a sua primeira reedição em CD: recupera-se, de uma penada, o trabalho já então realizado, poupa-se qualquer esforço suplementar ao desprezar a mera possibilidade de reformulação ou actualização factual e musicológica das notas e informações discográficas e nem sequer se aproveita a generosa capacidade do suporte CD para acoplar, num único álbum, os dois inicialmente reeditados. Elementar!
 
No caso português, excluindo a meia dúzia de privilegiados que tenham tido acesso à caixa de 10 CDs com a obra completa de Brown para a EmArcy, é esta porventura a primeira vez que os nossos amadores de jazz «normais» têm à sua disposição estas gravações históricas já que, segundo tudo indica, pelas informações recolhidas, elas não terão sido lançadas entre nós na primeira ocasião.
 
Trata-se de parte significativa das sessões realizadas durante o curto mas riquíssimo período do contrato de Clifford Brown com a EmArcy e nas quais está em plano de evidência o fabuloso quinteto originalmente criado na Califórnia de parceria com Max Roach e ainda composto por nomes de peso como os saxofonistas Harold Land ou Sonny Rollins, o pianista Ritchie Powell e o contrabaixista George Morrow.
 
Em primeiro lugar, é necessário dizer-se que, tendo sido inicialmente influenciado por Dizzy Gillespie e Fats Navarro, Brown rapidamente impôs o seu natural talento na criação de um estilo próprio e inteiramente original, a ponto de se tornar um modelo de referência para as gerações de trompetistas que se lhe seguiram. Basta lembrar, contemporaneamente à sua carreira ou logo nos anos após a sua trágica e prematura morte, o surgimento de Lee Morgan, Booker Little ou Freddie Hubbard, eméritos e influentes continuadores e renovadores do seu estilo.
 
Um estilo caracterizado por uma flagrante exuberância técnica que permitia ao trompetista assegurar, sem comprometedores desvios do tempo, andamentos extremamente rápidos e ainda por uma sonoridade aberta e radiosa que devolvia ao trompete o papel de primeiro plano que havia sido imposto no jazz clássico por mestres da estatura de um Louis Armstrong.
 
O álbum Study in Brown contém nove peças essenciais do extraordinário quinteto de Clifford Brown/Max Roach e que são, também, as primeiras gravadas por este grupo em Nova Iorque, em Fevereiro de 55. Em More Study in Brown, pelo seu lado, deparamos com oito novos takes descobertos mais tarde, alguns deles alternativos e dispersos por outras compilações, mas não constituindo, neste caso, desnecessárias repetições dos primeiros.       
 
                                                                                                                                                                            Claramente apostado na afirmação de uma estética implantada no período do hard-bop, este quinteto estabelecia, entretanto, algumas interessantes pontes com o chamado jazz west coast, não apenas pela especial configuração de certos temas e arranjos instrumentais mas, porventura também, pela presença de um saxofonista-tenor como Harold Land, um músico notável, oriundo da Costa Oeste dos EUA e ímpar pela sua reconhecida versatilidade estilística.
 
Exemplos claros desta evocação da estética west coast são, por exemplo, as versões de peças como Jacqui (R. Powell) ou Gerkin For Perkin (C. Brown), no primeiro dos dois álbuns, e ainda, de certa maneira, Flossie Lou, um admirável original de Tadd Dameron, no segundo. Mas os temas e arranjos de maior impacte que se impõem de forma inconfundível em termos de repertório são esses verdadeiros ícones sonoros de toda uma época, como Swingin’, Sandu ou George’ s Dillema, no primeiro álbum, e, ainda, Jordu e The Blues Walk, no segundo.
 
Do ponto de vista individual, Max Roach afirmara-se já, nesta época, como o mais «melodista» dos grandes bateristas em todo o jazz, com solos eminentemente percussivos e de impressionante inteligência e musicalidade, capazes até de traduzir, de forma admirável, a própria estrutura formal dos temas. Quanto a Sonny Rollins, ele transportava o fogo da intensidade emocional para o terreno onde imperava o tranquilo e delicado discurso musical de Harold Land, assim tornando possíveis duas expressões diversas do mesmo quinteto.
 
Mas era Clifford Brown, sem margem para dúvidas, a grande personalidade musical de todo o grupo: brilhante pela impetuosidade dos seus solos (atingindo a vertigem em Cherokee ou Swingin’), brilhante pelas longas frases das improvisações, traduzindo a infindável desmultiplicação das suas ideias melódicas (Flossie Lou, Jordu ou If I Love Again), e particularmente engenhoso e inventivo pela dialéctica tensão / distensão expressa na tão especial articulação das frases ligadas ou destacadas (If I Love Again ou I’ ll Remember April).
 
Enfim, com esta dupla Study in Brown, estamos perante dois álbuns-chave no período de consolidação do jazz moderno.

 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 15:28
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

«Um Toque de Jazz» em Julho

 

Chegados os meses de Verão, Um Toque de Jazz não parte propriamente para férias, mantém-se «no ar» nos dias e nos horários habituais, mas propõe-se usar da melhor maneira os arquivos da RDP/Antena 2 para repetir alguns programas e ciclos especiais que merecem, sem dúvida, uma segunda audição.

 
É assim que, neste mês de Julho, as quentes noites de fim de semana poderão ser passadas pelos amadores de jazz portugueses a recordar os três capítulos das Gravações Completas realizadas para as etiquetas Clef e Verve pela grande orquestra de Count Basie, um ciclo já aqui transmitido.
 
Por outro lado, menção especial tem de ir também para From Spirituals to Swing, título sob o qual foram reunidas em duas emissões as gravações dos célebres concertos realizados no Carnegie Hall  (Nova Iorque)  nos idos de 1938/1939 pelo produtor John Hammond e que, entre outros, nos permitem ouvir o sexteto de Benny Goodman, os New Orleans Feetwarmers de Sidney Bechet ou os cantores Big Bill Broonzy, Joe Turner, Helen Humes e Billie Holiday.
 
Finalmente, outros grandes mestres do jazz escolhidos para Julho são Thelonius Monk e o seu quarteto  (com a participação especial de John Coltrane), o quinteto de Charlie Parker-Dizzy Gillespie ou o quarteto de John Coltrane, todos em gravações editadas nos últimos anos e até então inéditas.
 

Um Toque de Jazz é transmitido aos sábados e domingos, das 23:05 às 24:00, na Antena 2, podendo ser ouvido em FM ou ainda aqui, via webcast. Após a sua transmissão, as emissões estão disponíveis, também via Internet, na página de arquivos multimédia da Antena 2.

___________________________________

 
Os fins de semana de Verão
 
Sábado, 05.07.08 – As gravações completas de estúdio realizadas para a Clef e para a Verve pela Orquestra de Count Basie nos anos 1950s. 1º. Programa. (Repetição) 
    
Domingo 06.07.08 – As gravações completas de estúdio realizadas para a Clef e para a Verve pela Orquestra de Count Basie nos anos 1950s. 2º. Programa. (Repetição) 
 
Sábado, 12.07.08 – As gravações completas de estúdio realizadas para a Clef e para a Verve pela Orquestra de Count Basie nos anos 1950s. 3º. Programa. (Repetição) 
 
 
 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                             Domingo, 13.07.08«One Down, One Up», gravação radiofónica inédita realizada ao vivo, em 26 de Março e 7 de Maio de 1965, no clube Half Note de Nova Iorque, pelo quarteto do saxofonista John Coltrane, com McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria). (Repetição) 
 
Sábado, 19.07.08«From Spirituals to Swing» (1) – os célebres concertos produzidos por John Hammond no Carnegie Hall de Nova Iorque em 23 de Dezembro de 1938, com a orquestra de Count Basie, o sexteto de Benny Goodman, os New Orleans Feetwarmers de Sidney Bechet e os cantores Big Bill Broonzy, Joe Turner, Helen Humes e Billie Holiday, entre outros. 1ª. Parte. (Repetição) 
 
Domingo, 20.07.08«From Spirituals to Swing» (2) – os célebres concertos produzidos por John Hammond no Carnegie Hall de Nova Iorque em 23 de Dezembro de 1938, com a orquestra de Count Basie, o sexteto de Benny Goodman, os New Orleans Feetwarmers de Sidney Bechet e os cantores Big Bill Broonzy, Joe Turner, Helen Humes e Billie Holiday, entre outros. 2ª. Parte. (Repetição) 
 
Sábado, 26.07.08«At Carnegie Hall», concerto pelo Quarteto de Thelonius Monk (Ahmed Abdul-Malik no contrabaixo e Shadow Wilson na bateria), com o saxofonista John Coltrane, no Carnegie Hall (Nova Iorque). Gravação de 29.11.57, até hoje inédita. Edição Blue Note. (Repetição) 
 
Domingo, 27.07.08«Town Hall Concert», concerto pelo Quinteto de Dizzy Gillespie-Charlie Parker, com Al Haig (piano), Curley Russell (contrabaixo) e Max Roach (bateria), no Town Hall (Nova Iorque). Gravação de 22.06.45, até hoje inédita. Edição Uptown Records. (Repetição)
 
__________________________________________________________
 
 

 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 15:34
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